Carreira e NegóciosIvan Ferreira de Campos

O Feedback e sua importância para o crescimento das pessoas

Costumo dizer que pessoas são responsáveis por pessoas, e isso não se restringe aos pais que são responsáveis pelos filhos, mas excede os limites das relações familiares, e chegam às relações sociais.

 

Um exemplo está no fato de que eu sou responsável pelos relacionamentos que cultivo, e quando falamos de boas amizades, somos responsáveis mutuamente pelos laços que nos unem, eu, você, e as pessoas pelas quais nutrimos sentimentos. Como diria Saint-Exupéry em sua grande obra, O Pequeno Príncipe, “Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé”, ou na tradução célebre e imortal Dom Marcos Barbosa, ”Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

 

Nesse contexto, nas empresas isso não seria diferente, assim como em qualquer outra relação de trabalho. Somos responsáveis pelas pessoas na medida em que possuímos papeis ou postos de responsabilidade sobre estas.

 

Ser o contratante, ser o chefe, ser o líder, ou simplesmente ser aquele que referencia o trabalho da outra pessoa, nos faz eternamente responsáveis por esta pessoa, pelo resultado esperado, pelo bem-estar dessa pessoa, e por seu crescimento.

 

E estar nessa posição nos faz os primeiros responsáveis por sua insatisfação, pelo estresse, pela falta de motivação, pelos resultados eventualmente ruins, pela estagnação desta, e por fim, por sua saída voluntária ou involuntária do relacionamento profissional e de nossas vidas. Por isso, dar o feedback é um ato de empatia, parceria, amizade e mais ainda, humanidade, além de ser uma obrigação profissional.

 

Dito tudo isso, contarei algo que aconteceu comigo hoje, pois o jardineiro do meu condomínio me perguntou se eu havia gostado do serviço que ele estava fazendo, pois gostaria de melhorar ou reorganizar a maneira como está trabalhando lá, uma vez que esteve lá apenas uma vez em janeiro e agora em fevereiro.

 

Como faz apenas dois meses que ele começou, me senti na obrigação de conversar com ele, muito embora eu não seja mais o síndico do condomínio, e não o tenha contratado.

 

Primeiramente perguntei quais eram as dificuldades que ele estava encontrando, para entender se havia dificuldades e de qual maneira eu poderia ajudar para que ele as superasse, inclusive fazendo a ponte com o síndico atual se fosse necessário.

 

Depois perguntei se eu podia ajudar em algo, ou se ele queria a minha opinião sobre algum aspecto do serviço, pois como eu já fui síndico, poderia quem sabe direcioná-lo a um caminho que solucionasse algum problema, ou então no limite orientar que ele conversasse com o síndico atual sobre a questão.

 

Já com a conversa mais informal, mas sem esquecer o gatilho do papo, apresentei minha percepção sobre o serviço até o momento realizado na minha perspectiva e no tocante ao meu quintal, apontando que estava satisfeito, mas abordando aspectos que entendia que poderiam ser melhorados.

 

Quase no fim da conversa, perguntei sobre família e outras particularidades, para poder deixar o canal de comunicação aberto para outros momentos, descobrindo que ele enfrentou recentemente o Covid-19 com sua esposa, que ainda sente eventos de falta de ar, e que como não tem muito acesso, está enfrentando tais episódios com caminhadas ao ar livre e passeios de bicicleta, para fortalecer os pulmões, sendo que por esse motivo às vezes ele parava um pouquinho para tomar um ar e retomar o trabalho (isso me permitiu ter empatia).

 

Também descobri que ele é super minucioso, e que gosta de fazer seu serviço nos mínimos detalhes, o que implica em um tempo maior de serviço em cada local que vai. Isso ocasiona que ele tenha menos clientes, porém mais fieis, e era essa a grande preocupação dele, fidelizar o nosso condomínio.

 

Por fim e dentro de minha área de atuação, o orientei que para fidelizar clientes, o serviço prestado precisa encantar, mesmo que isso não signifique fazer além do que foi contratado (pois não seria sua obrigação), mas fazer bem feito aquilo que está previsto no serviço contratado, e que entendia que os aspectos que indiquei para melhora poderiam ser discutidos também com o atual síndico, abrindo o caminho para que ele pudesse expor as “dores do trabalho”, que está enfrentando, e ao mesmo tempo, dar ao síndico a oportunidade de acrescentar seu ponto de vista.

 

Nos despedimos, e ele saiu satisfeito, pois entendeu estar no caminho, pelo menos para um dos clientes que precisa cativar…e eu fiquei satisfeito por poder contribuir para seu crescimento e ao mesmo tempo pelo fato de ter exposto minhas expectativas em relação ao trabalho que ele desempenha.

 

Esse caso me motivou a escrever sobre a importância do feedback, e contribuiu para reforçar esse comportamento em mim no dia a dia. Não podemos nos esquecer que devemos na condição de gestores, líderes ou pessoas que possuem responsabilidade sobre outras na cadeia de comando das empresas, dar o feedback adequadamente, sem punir ou ser insensível, mas sendo francos e humanos, procurando possibilitar o crescimento das pessoas envolvidas.

 

Até a próxima!

Ivan Ferreira de Campos – Administrador, Consultor, Professor Universitário.

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